Copom: Economia brasileira está em recuperação gradual, mas fatores de risco para inflação permanecem

Precisão

Em comunicado sobre a nova redução na taxa básica de juros, a Selic, de 4,5% para 4,25%, o Comitê de política monetária (Copom) afirmou nesta quarta-feira que a economia brasileira está em “recuperação gradual”.

“Dados de atividade econômica divulgados desde o último Copom indicam a continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira”, disse o colegiado em comunicado.

Na avaliação do comitê, as incertezas internacionais aumentaram recentemente, embora o quadro continue “relativamente” benigno para países emergentes.

“No cenário externo, apesar do recente aumento de incerteza, o caráter acomodatício da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes”, disse.

O colegiado ainda avalia que “diversas” medidas de inflação subjacente, mais sujeitas à atividade econômica e à política monetária, “encontram-se em níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante”.

O colegiado também reforçou a importância da continuidade da agenda reformista.

“O processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia”, afirmou.

“O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.”

Fatores de risco para inflação

No comunicado, o Copom afirmou que no seu cenário básico para a inflação “permanecem fatores de riscos em ambas direções”.

Do lado baixista, que poderia levar a inflação a cair abaixo do projetado, o Copom voltou a citar que “o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado”.

Do lado altista, o Copom diz que “o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, pode elevar a trajetória da inflação acima do esperado no horizonte relevante para a política monetária”.

O colegiado informou ainda que esse risco altista pode se intensificar em algumas hipóteses:

  • “aumento da potência da política monetária decorrente das transformações na intermediação financeira e no mercado de crédito e capitais”;
  • “deterioração do cenário externo para economias emergentes”; ou
  • “eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira”.

(Com conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, o serviço de notícias em tempo real do Valor)